Há uma luz que nunca se apaga

suponho que está bem interessar-se no bem-estar dos nenos no mais básico, na sua saúde, alimentação, seguridade, etc… mas sempre achei um exagero o zelo absoluto sobre a sua suposta integridade em inocência e bondade. Não são os cativos os mesmos que logo crescem para ser adultos? É como se a gente que jamais pensaria nem na mais mínima possibilidade de ser eles melhores pessoas (ou de fazer qualquer mínimo esforço para mudar sequer [...] Continue Reading…

Um bairro de forasteiros

No passado as cousas eram diferentes. Um nascia num sítio e era servo (ou nobre) dessa terra por sempre jamais. Seguramente eram tempos horríveis nos que nem se podia sonhar na diferença entre a miséria e a vida porque uma era a outra e outra era uma. Mas uma cousa era segura: não havia nenhuma sensação de estranheza com o lugar. Nascias num sitio, mal-vivias, morrias. A tua pátria pequena que em realidade era [...] Continue Reading…

Um milagre de fatalidades

Quando calaremos? Ainda essa teima de imaginarmos grandes problemas que dalgum jeito atravessaríamos com sorrisos e a frase certa em cada momento. Sem problemas. É tão absurda. Nem conseguimos fiar a rotina compreensível das nossas vidas. Não é lógico pensar que as dificuldades abrissem uma caixa de recursos ocultos e habilidades secretas. Isto é simplesmente tudo. Fácil, doado, singelo, sem complicações. As pequenas ondas que nos balançam são os únicos tsunamis que conheceremos. [...] Continue Reading…

Desfrutem da festa

Quando comecei a construir o refúgio a minha mulher sentiu uma pequena pena por mim e uma tremenda vergonha por ela própria. Nunca devera rir com as minhas histórias de diversos cenários apocalípticos. Não deveria nem ter escutado uma palavra; toda essa atenção distraída só servira para encorajar a minha toleima. E o que nunca devera fazer era permitir-me ir ao IV Festival de Cinema Zombie. O resto do mundo também estava convencido de [...] Continue Reading…

Pode um homem deixar a sua própria sombra?

Só de o movimento sionista tiver escolhido diferente hoje todo o Estado de Israel poderia estar a falar iídiche e talvez (ou não) a própria historia teria sido diferente – se que uma língua pode ter tanta importância no destino e nas vontades. Até os árabes que vivem em Israel falariam esta língua germânica, igual que agora falam hebreu só porquê é língua oficial. Certo é que o iídiche não era a língua de [...] Continue Reading…

Não feches os olhos

Os meus pais nunca nos deixavam jogar a cegos não sei se por respeito ou por temor de que fora como um mal presságio – brinca com a desgraça alheia e acontecerá. Às agochadas rompíamos a proibição e durante minutos íamos apalpando e reconstruindo um mapa mental de onde quer que estivéssemos. Que nunca era longe. Era um jogo bem tonto e logo o deixávamos entre a decepção e os remorsos de romper a [...] Continue Reading…

Jack Kerouac never really learnt to drive

Gostaria-me escrever uma canção sobre o verão, a praia, o sol, a felicidade de ser novo quando não sabes que raio significa isso -ah, e tb mais cem milhões de tópicos talvez excluindo conscientemente o surf-. O absoluto desconhecimento de que estranharás estes dias e que tudo vai bem, tão bem que só há que rir, sorrir, beber, e falar até a saída do sol. A vida é sobretudo o que queremos dizer antes [...] Continue Reading…

Entre cinzas

Não resta com não fazer nada. O tempo está armado e sempre disposto de tal jeito que o seu simples passo é suficiente para provocar algum estoupido até acidental. A nossa dissipação futura avança mais com nós que até nós. Ainda é possível passar sem imaginarmos a desordem em movimento que arrasará os muros entre os que nos escondemos mas isto não muda que igualmente viaja com nós. A bala que não escutas… Lembro-me [...] Continue Reading…