Um bairro de forasteiros
No passado as cousas eram diferentes. Um nascia num sítio e era servo (ou nobre) dessa terra por sempre jamais. Seguramente eram tempos horríveis nos que nem se podia sonhar na diferença entre a miséria e a vida porque uma era a outra e outra era uma. Mas uma cousa era segura: não havia nenhuma sensação de estranheza com o lugar. Nascias num sitio, mal-vivias, morrias. A tua pátria pequena que em realidade era a única conhecida pola maioria da população. Graças à nova civilização urbana agora já podemos nascer e viver (etc) entre ruínas em construção que de qualquer jeito não significam muito mais alem do seu nome. A aldeia global é em realidade uma cidade global na que te podes sentir só e claustrofóbico em qualquer parte. Sempre há alguma cultura mais poderosa ou vital que te apanhará e fará que esqueças quem és. Sempre haverá alguma comunidade na que serás o estrangeiro ou a raça errada ou a língua secundária ou qualquer outra cousa. E quando não seja assim desejarás tanto ser diferente que deixarás que a electricidade te leve a outros edifícios nos que desconfiar permanentemente dos residentes locais que no entanto nunca parecerão ter problema de identidade nenhum. Talvez porque todos somos cúmplices, todos estamos a estafar todo mundo e também entre nós. O contágio da normalidade é inevitável.
Tónio |
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| Ago 3, '09
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