Não feches os olhos
Os meus pais nunca nos deixavam jogar a cegos não sei se por respeito ou por temor de que fora como um mal presságio – brinca com a desgraça alheia e acontecerá. Às agochadas rompíamos a proibição e durante minutos íamos apalpando e reconstruindo um mapa mental de onde quer que estivéssemos. Que nunca era longe. Era um jogo bem tonto e logo o deixávamos entre a decepção e os remorsos de romper a palavra por tão pouca diversão. E nunca aconteceu nada excepto que ainda hoje quando caminho às obscuras na minha casa sinto-me mal e um pouco velho ao pensar nos anos.
Também nunca me deixavam nadar mar adentro, sempre perto da beira, onde não cubra, podes ter uma cambra… E ainda hoje quando estou na praia… nado bem profundo sem sentir mais que felicidade por poder ir ao profundo e desobedecer com centos de braçadas aonde não deveria ir. E sinto-me bem e novo e acho que há promessas para ser rotas com mais facilidade que outras.
Tónio |
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| Jun 24, '09
Cartografia
1. Junho 28, 2009 | 8:33 am
Calquer día afogas…