Há uma luz que nunca se apaga
suponho que está bem interessar-se no bem-estar dos nenos no mais básico, na sua saúde, alimentação, seguridade, etc… mas sempre achei um exagero o zelo absoluto sobre a sua suposta integridade em inocência e bondade. Não são os cativos os mesmos que logo crescem para ser adultos? É como se a gente que jamais pensaria nem na mais mínima possibilidade de ser eles melhores pessoas (ou de fazer qualquer mínimo esforço para mudar sequer um anaco de eles próprios) tivesse toda uma cruzada para salvar o futuro (que inevitavelmente só está condenada a herdar os mesmos traumas e contradições da vida adulta como ela é). Incluso os pais mais horríveis pensam que os seus sermões criarão filhos perfeitos e que sabem exactamente a que hora desligar a tv, que vídeo-jogos devem jogar, que filmes nos que se interessar e que actividades fomentar e (outras) proibir. E penso que no fundo há muito de impossível porque todos estamos feitos para decepcionar, para cumprir só as expectativas nas que ninguém pensara, para escolher a música equivocada e a gente errada e o trabalho de merda que nunca ninguém contestara há tantos anos atrás. E dito todo isto, ainda assim, penso que também é certo que, se inevitável, que também todas essas más influencias das que devimos ser afastados influem realmente e claro que existem bons modelos e padrões, um milhão de histórias felizes, durante uns poucos anos mas chega um momento no que os tipos que poderiam escrever relatos de ânimo não tenhem o tempo preciso para isso porque, sabes, estão ocupados demais desfrutando da sua fabulosa vida e por isso e talvez só nos restam obras de desolação e desconexão com o mundo (e as que contam outras cousas só são farsas que não podem interessar nunca mais) e a relação entre elas e nós (mim) estreita-se perigosamente e acho que sim, que me transformo no que leio e as aparências não são nada mais que uma palavra porque por dentro estou tão desfeito como o único que tem importância para mim.
Tónio |
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| Set 15, '09
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