Desfrutem da festa
Quando comecei a construir o refúgio a minha mulher sentiu uma pequena pena por mim e uma tremenda vergonha por ela própria. Nunca devera rir com as minhas histórias de diversos cenários apocalípticos. Não deveria nem ter escutado uma palavra; toda essa atenção distraída só servira para encorajar a minha toleima. E o que nunca devera fazer era permitir-me ir ao IV Festival de Cinema Zombie. O resto do mundo também estava convencido de que perdera qualquer sinal de sensatez mas já tinha mais curiosidade que pena. Sempre tinham algo divertido do que falar. Um bunker em construção, com divorcio incluído, sempre anima muito uma família, uma vizinhança… Logo chegaram as burlas. Riam de mim como se fosse o máximo parvo sobre a terra. A gastar dinheiro sem fim num projecto absurdo. Um paranóico rematado.
Quando terminou a obra ainda realizei alguns últimos desenhos bem pessoais. E convidei todo o mundo que conhecia a uma grande festa de inauguração. Decorei o bunker com os cartazes de filmes apocalípticos e a música e as bebidas fizeram o resto. Um grande sucesso. O único que faltava para ser um refúgio autêntico eram as provisões mas a sua ausência estava prevista. Quando os primeiros convidados decidiram marchar não encontraram o seu tolo anfitrião. Foi então quando descobriram que as portas só abriam desde fora e que de qualquer jeito passaria muito tempo até que isso chegasse a passar. O mundo continua a rolar? Bem, só é uma questão de perspectiva.
Tónio |
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| Jul 5, '09
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