Arquivos » Março, 2008

A minha química

Não importo quanto tempo passar no mesmo sitio. Sempre me sinto o último em chegar. Quando aterrarem os alienígenas, aposto que só estão mais fora de onda do que eu durante uns poucos minutos. Logo me mostrarão como é o planeta.
- É fácil mesmo. Vai ter com a gente, sorri um pouco – dirá-me desde [...]

Antes tinha medo de não sair nunca de aqui

O seu exercito de pequenas mentiras está sempre, mais ou menos, desarmado. Sei lá como, mas compreendeu que a guerra relâmpago aos pontos vitais não funciona bem nesta latitude. Agora funciona doutro jeito. É mais como uma colonização mantida no tempo, com novos povoadores chegando o tempo todo e adaptando-se rapidamente a viver entre trincheiras. [...]

Sorrisos no asfalto

Na nossa infância somos como pequenas bestas a passearmos incansavelmente pola mesma cela, essa borbulha de sobreprotecção parental na que realmente não há muito a fazer excepto garatujar nas paredes, já digo. Claro que há espectadores todos os dias (embora cada dia alguns menos) mas não é como para dar por isso, bah, nada interessa [...]

A preguiça está a matar-me

Tenho a pele fodida. Muito. Uma mancha sob a orelha esquerda, espinhas como se fosse um adolescente, e as palmas da mão descascam-se o tempo todo. Nada grave, mas olha que é molesto como todas as pequenas misérias que ficam fora de qualquer controlo (como se houvesse algum). E isso só que eu saiba porque [...]

Só ganhas o que mereces

No mínimo deveriam dar-me um prémio pola velocidade com a que logo desapareço das vidas de todas as raparigas às que poderia molestar e amar. Nenhuma chorará por mim, nenhuma noite sem dormir, nenhuma espera polo telefone que não ecoa nenhuma desesperação cantada tão baixinha que até os meus botões perguntam quê foi isso.  É [...]

Lojas de segunda mão

Odeio a puta polícia… (Não, não, começo outra vez…)
Não gosto nada da puta polícia nos filmes de merda que estão feitos só por e para mostrar a eficiência policial ainda, e paradoxalmente, dando um halo de simpatia solidária com o criminal (que é afinal quem rouba a história, claro). Penso que a maioria funcionariam também [...]

Relógios de parede

Há vezes que tenho os melhores momentos. Triunfos efémeros e instantâneos que chegam como por acaso (e nunca como resultado dum esforço continuado ou qualquer plano). Antes estava bem. Desfrutava destes acidentes positivos sem me torturar com nenhum pensamento fora do instante. Agora, nem isso, porque também se apreende para o mau e para compreender [...]

Só quando for preciso

Se há uma herança paterna que reconheço facilmente é um leve ataque de fúria duns poucos segundos à mínima contrariedade. Não é que seja grave e está bem longe de qualquer violência excepto talvez uma teima em atirar pequenos objetos e bater em caixões e portas… mas é molesto, não para o resto da humanidade [...]