Ano Zero
Outra volta. Merda.
Hoje não tivem mais remédio que escrever mais uma nota, abrir-o estômago e deixa-lá lá dentro esperando polo futuro. Não confio em nenhuma outra forma de transmissão que uma linda autopsia com surpresa, quando o tempo chegar. Quando a ferrugem cobrir-me quero deixar uma última pista contraditória, um fóssil de aço com letras douradas que [...]
Estava sentado na carvalheira bebendo um refresco, comendo um sanduiche, pensando em beiços húmidos. Coloquei-me na melhor posição possível para ver todos os demais sem ser visto, só porque não gosto das espreitadelas quando estou a jantar. Todos estavam a esperar ordenadamente a hora de começo e guardavam o seu turno como robots sem [...]
Sentado e aborrecido após horas de sem-fim e nada-vai-mudar, o cativo baixa o olhar até o prato por primeira vez e lá na sopa entre as espinhas do peixe está o seu futuro e automaticamente começa a pesar nos ombros, como se já estivesse a acontecer. Sem lamúrias, porque tudo é necessário, navega como um [...]
Não são adoráveis os nossos velhos e os seus continhos para não dormir de “todo tempo passado foi melhor”? Eu encontro-os simpáticos até, na sua teima de nos explicar o boa que era a sua educação, a grande cultura que se aprendia antes nas escolas, o respeito e os bons modos que eram compartilhados por [...]
Um intre antes de desactivar a mina antipessoal o sapador enamora-se da sua beleza luminosa.
Quando cativo eu era mui inseguro. Hesitante mesmo.
Não é que mudasse muito no da inseguridade, não. Aos poucos, as dúvidas vão conquistando um fogar onde sempre estarão quentes e bem alimentadas. Às noites há festa rachada e os invitados extraordinários só vão fora com o solpôr e até a próxima. As residentes habituais só desaparecem [...]
Sonho com uma moça transparente. Tão transparente que consiga ver através dum furo no seu peito. Que sempre seja um bom momento para botar uma olhadela.
Através dela.